Mídia

A mídia e a criminalidade

“A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo” – Nelson Mandela
                 
Um assunto que é pertinente nos atentar a falar é sobre a mídia, não apenas, mas sobre sua influência sobre a sociedade, o meio cotidiano. O sensacionalismo que ela coloca nas pessoas quando se trata de violência urbana, mais especificamente buscando audiência e lucro por meio da violência e sofrimento alheio.

Programas policiais difundem insegurança e violência. Diariamente, temos nossos lares invadidos por programas chamados de “policiais” (não pensamos que sejam dignos desse nome, pois são apenas programas sensacionalistas). Segundo temos visto, esses programas, que se arrogam como jornalísticos, nada mais têm sido que divulgadores do pânico e da insegurança na população de modo geral. Seus apresentadores falam de caos e impunidade e, entre uma barbaridade e outra, vendem produtos e se promovem politicamente.

Pior ainda, utilizam-se de concessão pública, que é a radiodifusão, para até mesmo transgredirem as leis, desrespeitando a dignidade das pessoas. Não é difícil ver tais apresentadores defendendo pena de morte ou dizendo frases como “bandido bom é bandido morto”. Fica claro que a escolha de quem é o “bandido” que deve ser morto é seletiva, pois bandidos ricos têm complacência desses programas e de seus apresentadores. Além da seletividade, a espetaculização do sofrimento é recorrente nesses programas. Mortes violentas são apresentadas sempre como se fossem um espetáculo, algo que possa ser comercializado, que irá dar audiência.

Esses apresentadores de programas sensacionalistas são perfeitamente retratados na figura do “Deputado Fortunato”, personagem do filme Tropa de Elite 2. Falastrão, Fortunato se elege deputado através da plataforma política que é o seu programa. Ele faz parte da “Bancada da bala”, que cresce explorando e lucrando duplamente com a violência: por um lado, mescla publicidade ao sangue das vítimas, fomentando ódio e medo em muitas famílias; por outro, vai arrebanhando votos e conseguindo mandatos políticos. 


O principal fator que motiva o povo a acreditar em medidas extremas e infundadas, como o meio punitivo do efeito pela causa vem do medo e da insegurança que os programas policiais incutem na sociedade. A mídia de massa, com seus programas policiais, já derreteu toda massa encefálica das pessoas. Programas estes que lucram com a violência urbana e a noticiam em forma de espetáculo com apelo à emoção, divulgando pânico e insegurança na população de modo geral.

Os reacionários gostam de usar o exemplo: “No Brasil há mais de 50 mil mortes por ano, 50 mil assassinatos.”. Mas os reacionários se esquecem de falar que mais de 70% das vítimas desses homicídios são os pobres, negros e favelados vítimas da guerra as drogas, da criminalização da pobreza, do racismo e do extermínio policial. E o mais interessante é que esses mesmos reacionários defendem a guerra às drogas, criminalizam a pobreza, e defendem e fazem de tudo para legitimar o extermínio policial. Essa ascensão do fascismo e da extrema-direita no Brasil se deve à mídia de massa com seus programas policiais, e às igrejas neopentecostais, que crescem diariamente. Há um texto muito bom de um professor que fala: “a bancada evangélica é o reflexo da nossa sociedade. Violenta, desigual e analfabeta”.

A mídia que criou o estereótipo do bandido para a sociedade, o estereótipo do bandido preto, pobre, favelado, é a mesma mídia que encobre os crimes político e empresarial. Por isso falar e utilizar bordões reducionistas do tipo “bandido bom é bandido morto” e “adote um bandido” é falacioso, seletivo e relativista. É falacioso e reducionista porque são discursos prontos, de senso comum, pobres de análises básicas, pronunciados da boca pra fora por pessoas ignorantes que não conseguem fazer análises e levantamentos. Discursos que não trazem soluções e são aceitos e compartilhados em meio à ignorância coletiva. É relativista; e o relativismo do discurso caricato aparece quando a impunidade existe apenas para os bandidos ricos (que dificilmente seriam presos ou mortos), já que nosso código penal foi feito para atingir as classes mais baixas, fruto de nossa herança colonizadora. E ricos pagam muito bem pela sua defesa, e compram muita gente também. Nosso sistema judiciário ainda é bem suscetível a corrupção e a ilicitudes.

Não existe nenhuma plantação de coca nas favelas do Brasil. E o caso helicóptero do deputado branco e rico apreendido com 450kg de cocaína foi abafado pela mídia, a mesma que convence a população de que o inimigo mora na favela, e que fica mostrando favelado preso com pequenas porções de drogas que ele vendia no varejo. Direito, jurisdição, atualmente são disciplinas do conhecimento humano muito estudadas. Mesmo assim dificilmente se verá um doutor em Direito, um estudioso de jurisdição, um professor universitário penalista ou um estudioso de sociologia defendendo pena de morte ou o sensacionalismo midiático ou a banalização da dignidade humana ou qualquer outra ideia barata promovida por programas televisivos ditos “jornalísticos policiais”.

Esse discurso não acrescenta nada para a segurança pública. Não discute o modelo de sistema penal injusto em que estamos, não abarca a extensão do problema. É tão imediatista quanto os tais programas, que de policial não têm nada. O Brasil não precisa desses senhores que só sabem gritar bravatas e incutir medo na população. O Brasil precisa de um modelo de segurança pública que respeite à dignidade humana, de democracia, de justiça social, não de pessoas que queiram se promover por meio do sofrimento alheio.





5) http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/10/08/brasil-registra-585-mil-assassinatos-em-2014-maior-numero-em-7-anos.htm

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