Ciência

Sobre a questão das drogas



A questão das drogas deve ser tratada como saúde pública, não como policial e repressiva. A política atual de “Guerra às drogas” teve lançamento nos Estados Unidos, no Governo Nixon. Como o gueto negro e a política de segregação racial Jim Crow estava ruindo, era necessário estabelecer um novo padrão de dominação para controlar os segmentos negros do proletariado. 

A estratégia encontrada foi criar uma série de discursos ideológicos e prática que reforçassem a segregação espacial, simbólica e institucional e garantisse um aprofundamento da repressão e controle sem que isso parecesse fundamentado numa política deliberadamente racista.

A “Guerra às drogas” caiu como uma luva. Foi tão eficiente que os EUA hoje tem a maior população carcerária do mundo com mais de dois milhões de pessoas, a imensa maioria dos presos são negros  e o país tem mais negros presos hoje que na época da escravidão. ¹


Link sobre a “Guerra às drogas”:




Portugal, onde foi liberado o uso de tudo que é droga e não foi nada prejudicial quanto o discurso antidrogas por aí visto:



Sobre a afirmativa do sendo comum que “a maconha é a porta de entrada para outras drogas”, isso é a falácia do declive escorregadio para tentar mostrar que uma proposição P é inaceitável, uma sequência de eventos cada vez mais inaceitáveis é mostrada a seguir a partir de P, o que pode, porém não necessariamente irá acontecer.

E não, não é uma suposição quando há provas empíricas de países que liberaram maconha/outras drogas (EUA, Portugal, Canadá, Uruguai, entre outros) e que o resultado é significativamente positivo.

Uma política irracional e ineficiente é o que se investe na Guerra às Drogas, pois são gastados milhões de dinheiro e põe em risco a vida de policiais e cidadãos (e quem mais sofre são pobres) sendo que isso não traz NENHUM resultado, o crime por tráfico continua igual ou crescendo, então, com a regularização, o dinheiro investido nesta guerra irracional seria gasto com campanhas educadoras, preventivas, políticas de redução de danos e até mesmo no tratamento de viciados (já considerados em um estado patológico), como em países de IDH extremamente alto, como o Canadá e Suíça, onde eles dão heroína grátis em clínicas, suporte psicológico, assistência social e acompanhamento para evitar que mais usuários sejam infectados pelo mau uso, cometam crimes para conseguir as drogas, e diminuir ou acabar com o vício.



Os tratamentos à base de heroína lançados na Suíça tiveram resultados muito positivos, como mostram vários estudos. Um dos objetivos alcançados foi reduzir os efeitos da dependência.

Os estudos dos dois pesquisadores mostram que no cantão de Zurique – onde residem mais de 20% dos toxicômanos suíços – 850 pessoas tornaram-se viciados em heroína em 1990, enquanto que seu número baixou para 150 em 2002.



Existem artigos científicos que demonstram a racionalidade de liberar drogas e observa-se que a política de redução de danos nesses países vem acompanhada de um esquema para tratar o usuário crônico por meio de um sistema de saúde. Em linhas gerais, em vez de enquadrar, como conduta criminosa, a autolesão decorrente do uso de drogas, a abordagem da descriminalização patologista o usuário como um doente que necessita de tratamento.



Os dados e experiências estão aí, não vê quem não quer. E entenda a política de liberação das drogas NÃO é com o intuito de aumentar o número de usuários e sim achar uma maneira mais racional de combater este problema, já que a maneira atual (proibição) está há anos e NÃO ESTÁ DANDO CERTO, pois não diminuiu em nada, e, pelo contrário, aumentou.

No mais, é plausível a liberdade individual de cada ser, e o Estado deve sim conscientizar a população dos perigos e riscos que algo pode trazer a saúde, mas ele não pode interferir no direito que a pessoa tem ou não de usar, isso cabe ao indivíduo e somente ele, sabendo que faz mal e quer usar, então que use. Se achar que o Estado deve proibir tudo aquilo que faz mal a saúde, então que proíba o álcool, fast food, refrigerantes, bacon; que proíba o café (cafeína é uma droga, caso não saiba), etc, muitas dos itens citados fazem muito mais mal que muitas drogas. Esta incoerência que deve ser quebrada.





O álcool é 144 vezes mais letal que a maconha, por exemplo.



Matéria que mostra que 65% dos cidadãos holandeses são a favor da legalização completa da produção, venda e consumo da erva:


Fonte da pesquisa e matéria mais completa em inglês:




E um vídeo que demonstra, apresentando argumentos fortemente embasados, que a guerra contra as drogas é um tremendo fracasso (inclusive fala o caso da Suíça que, diferente do que diz na matéria, sabe lidar muito melhor com as drogas):


Sobre vício:



Veja o que acontece com países (EUA) que realmente regularizaram diferente da Holanda:






Mais alguns links para esclarecimentos:




Legalização das drogas e saúde pública:


Tratamento suíço de redução de danos. Os estudos dos dois pesquisadores mostram que no cantão de Zurique – onde residem mais de 20% dos toxicômanos suíços – 850 pessoas tornaram-se viciados em heroína em 1990, enquanto que seu número baixou para 150 em 2002.


·         Nixon on the war on drugs: http://bit.ly/1QRJcZ7

·         The Balloon Effect explained: http://bit.ly/1SfnP3b

·         The Economics Behind War on Drugs: http://bit.ly/1VOJiPk

·       Black Kids get more often arrested for drug offenses: http://brook.gs/1ppiPH6 & http://bit.ly/1kJs83H

·         World Drug Report: http://bit.ly/1QY97NU

·         Global supply of drugs: http://bit.ly/1OLXq6u

·         Four pillars drug strategy: http://bit.ly/1Qkhh0y

·         Portugal e as liberações das drogas:



As “consequências alarmantes” na legalização das drogas:



O debate sobre as drogas torna-se necessário para nosso país, pois estamos atrasados na discussão mundial, de acordo com os especialistas e ativistas. Para ficar apenas nos países vizinhos, Chile, Argentina, Colômbia e Venezuela, por exemplo, não tratam como crime o uso individual de drogas. E segue uma matéria do jornal El País sobre:


No link abaixo informações e análises sobre a sociabilidade do uso recreativo da maconha entre “pobres e ricos” (pretos e brancos):


No link abaixo há a seguinte sustentação: “A melhor atitude social seria de uma tolerância contrariada com as drogas, sem um fervor ideológico, mas com um pragmatismo afiado e persistente. Corremos o risco no Brasil que o debate da legalização de drogas virem a ocultar as reais questões relacionadas com uma política de drogas racional e balanceadas. Podemos ficar anos num debate ideológico improdutivo onde as pessoas defenderão a favor ou contra a legalização de uma droga específica com grande paixão e pouca informação.”:


Para finalizar, o intuito desse apanhado de informações é justamente trazer a discussão para um lado mais racional e cientifico da questão, até porque é natural que nesses embates ocorram muitas opiniões fundadas em emoções e sentimentos, etc. Assim, nesse sentido, é de extrema importância o embasamento forte para uma melhor disponibilidade de argumentos para serem ou não favoráveis; o porquê disso, e como.


Nota: agradeço ao Euclécio Josias Rodrigues pela ajuda na procura de alguns dados e estudos científicos.

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