Clara Zetkin

Clara Zetkin, expoente do Movimento Feminino Proletário

Clara Zetkin nasceu em Eissner Wiederau, uma aldeia camponesa na região da Saxónia, Alemanha em 1857.
Tendo estudado para se tornar professora, Zetkin desenvolveu ligações com o movimento das mulheres e com movimento operário na Alemanha de 1874. Em 1878, entrou para o Partido Socialista dos Trabalhadores (Sozialistische Arbeiterpartei, SAP),por causa da proibição por Bismarck, em 1878, à atividade socialista na Alemanha, Zetkin partiu para Zurique em 1882, e em seguida partiu para o exílio em Paris. Durante o tempo passado em Paris, ela desempenhou um papel importante na fundação do grupo socialista da Internacional Socialista.
No SPD, Clara Zetkin, juntamente com Rosa Luxemburgo, sua amiga íntima e confidente, foi uma das principais figuras da esquerda revolucionária do partido. No debate sobre o revisionismo na virada do século XX, ela, juntamente com Luxemburgo, atacou as teses reformistas.
Clara Zetkin lançou as bases para o primeiro "Dia Internacional da Mulher", a 8 de Março de 1911, por causa da sua postura anti-guerra, foi presa várias vezes durante a guerra.
Em 1916, Zetkin foi uma dos co-fundadores da Liga Spartaquista e do Partido Social-Democrata Independente da Alemanha (USPD), que se separou em 1917 do seu partido mãe, o SPD, em protesto contra a sua posição pró-guerra e depois se junta ao Partido Comunista da Alemanha.
Obrigada a fugir da Alemanha após a ascensão do nazismo e a interdição do KPD, faleceu algumas semanas mais tarde, no exílio, em Moscou, aos 75 anos.
Clara Zetkin atuava incansavelmente como propagandista e agitadora, escrevendo muitos livros e artigos sobre a significação da União Soviética para o movimento operário revolucionário em todo o mundo. A ativa participação de Clara Zetkin nos trabalhos da Organização Internacional de Ajuda aos Revolucionários (O.I.A.R.) e na organização de uma frente única de solidariedade proletária constitui um dos seus méritos ante o movimento operário internacional. Foi eleita e sistematicamente reeleita presidente do Comitê Executivo da O.I.A.R., desde 1924 até os seus últimos dias.
Zetkin tratou da questão da igualdade de direitos das mulheres do ponto de vista marxista e a ligou à luta comum do proletariado pela derrocada do regime burguês. Nos seus numerosos artigos e discursos sobre a questão feminina Zetkin sempre frisava a imensa diferença entre os participantes do movimento feminino proletário e as "feministas" burguesas que pregavam a renúncia à luta de classes. Em uma de suas obras escreve :"Todo o palavreado relativo à grande "irmandade" que liga os interesses das damas burguesas aos interesses das proletárias se desfez como bolha de sabão ao sopro da concepção materialista"
Após a vitória da Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia Lênin por mais de uma vez afirmou que todos os melhores social-democratas alemães, como Clara Zetkin e Franz Mehring, seguiam os ensinamentos dos bolcheviques. Lênin declarou, em seu informe apresentado ao V Congresso dos Soviets de Toda a Rússia, realizado em 5 de julho de 1918:
"A União de todos os trabalhadores, através de todas as dificuldades se fortalece, amplia-se e cresce não somente na Rússia, mas também em todo o mundo. . . O governo bolchevique recebe constantemente a expressão do reconhecimento e a expressão da simpatia e do apoio dos socialistas alemães e de outras pessoas cujos nomes são conhecidos de todos os trabalhadores e camponeses, como Clara Zetkin e Franz Mehring"
"O proletariado será capaz de atingir sua libertação somente se lutar unido sem qualquer diferença de nacionalidade e profissão. Do mesmo modo poderá atingir sua libertação somente se se mantiver unido, sem distinção se sexo. A incorporação das grandes massas do proletariado feminino na luta pela libertação do proletariado é um dos pré requisitos para a vitória da ideia socialista e para a construção de uma sociedade socialista".
Clara Zetkin.

Texto da Feminista Marxista, Fernanda Lamesa 

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