Filosofia Política

Os 7 principais mitos sobre o socialismo

Este artigo tem como propósito quebrar alguns mitos e desonestidades sobre o “socialismo” e “comunismo”. É um breve apanhado, que, com alguns tópicos breves e didáticos, propusemos uma explicação simples e, portanto, objetiva da questão. Boa leitura!






Li ano passado uma matéria no site do BrasilPost com o seguinte título: “Os 20 mais ricos do Brasil têm tanto dinheiro quanto 17 milhões de pessoas da classe média”. Nem preciso dizer que isso reflete, diretamente, não somente aqui, mas no restante do mundo, a imensa desigualdade econômica e social que existe em nosso meio. Não é necessário queimar neurônios demais para saber que o capitalismo desenfreado é um dos principais problemas da humanidade hoje. Entretanto, o capitalismo, em seu contexto histórico, importante à revolução burguesa, para desenvolver as forças produtivas, mas que a burguesia esgotou seu potencial revolucionário, após o desenvolvimento do capitalismo e que ele encontrou sua estagnação, devendo ser superado – surgindo uma necessidade de uma alternativa ao capitalismo.

Em primeiro lugar, gostaria de afirmar que quase todos que ficam repetindo clichês sobre Socialismo e Comunismo, no mínimo, estão equivocados. Ficam embasando-se em “memes’’ e páginas de reacionários e analfabetos políticos. Segundo, ninguém é obrigado a “gostar” do Socialismo e/ou Comunismo. Entretanto, para fazerem suas críticas a tal é necessário, no mínimo, um entendimento plausível. Os “argumentos” mais comuns que lemos na internet dessa turminha são falaciosos por completo. 



Antes de começar, deixo claro aqui que a intenção é esclarecer alguns pontos, não fazer análises.


Vejamos alguns:


1) ”Os comunistas querem acabar com a família e com a educação!”


Sempre há alguém pronto para falar do comunista “comedor de criancinha”. Ao ouvir isso, não deixe de indagar se uma família pode viver com o salário mínimo, o pai e mãe desempregados e uma moradia sem fornecimento de água e sem luz. E se uma criança pode ser educada para a vida numa escola pública abandonada pelo governo, que finge que paga aos professores e funcionários. Na sociedade capitalista, a educação é ela própria, um comércio, uma atividade lucrativa.

A educação também é uma ferramenta ideológica. Os comunistas não querem acabar com a educação, mas torná-la um mecanismo de emancipação. Porém, enquanto vivermos sob a égide do capitalismo, essa não será a atribuição da educação. Ela servirá apenas como ferramenta de alienação. Portanto, não basta aos comunistas defenderem o acesso à educação, mas também exigir que ela cumpra seu papel libertador.


2) “O Comunismo é a socialização da pobreza! Milhares morrem de fome!”


O livro Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, afirma que “O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, tira apenas o poder de escravizar o trabalho de outrem por meio dessa apropriação”. Prova disso é que o comunismo é a socialização dos meios de produção. É a retirada do monopólio da burguesia e repassando-o para a classe trabalhadora. 

O que, na prática, ocorre na nossa realidade, no seio capitalista, com a atual população mundial com cerca de 7,2 bilhões, segundo a ONU, dos quais 18 milhões de mortes por ano devido à pobreza, a maioria delas de crianças com menos de cinco anos (OMS); 924 milhões de “sem teto” ou que vivem em moradias precárias (UN Habitat 2003); 1,02 bilhões têm desnutrição crônica (FAO, 2009), assim por diante.

Sustentar a ideia de que um sistema de economia de mercado, degenerado,  possa suprir nossas necessidades como um todo e homogeneamente, é ignorar a realidade concreta.

Em nossa sociedade, já temos o que os detratores do socialismo e do comunismo temem: a pobreza, a fome, a violência extrema, a desumanização do ser social, a banalidade do mal, etc.


3) “Os comunistas querem socializar as mulheres!”


Essa fazia parte do catecismo de “satanização” das ideias socialistas. “Para o burguês, sua mulher nada mais é que um instrumento de produção. Ouvindo dizer que os instrumentos de produção serão postos em comum, ele conclui naturalmente que haverá comunidade de mulheres. O burguês não desconfia que se trate precisamente de dar à mulher outro papel que o de simples instrumento de produção.” É bom lembrar que alguns socialistas, até hoje, não conseguiram aceitar essa nova compreensão da mulher. O machismo nega o marxismo…


4) “É socialista, mas usa (celular) IPhone!”


O Socialismo não elimina o direito de cada indivíduo de possuir bens que lhe são úteis, mas ao contrário: é a socialização dos bens produzidos para além do lucro!

Na URSS, eles lançaram o primeiro satélite; logo enviaram o primeiro cachorro, o primeiro homem e a primeira mulher ao espaço. Também desenvolveram diversos desenhos televisivos. Para resumir, não havia um Tata Sky (sistema de difusão direta pelo satélite) senão fosse pelos soviéticos. Além do mais, os soviéticos também tiveram o êxito de terem criado órgãos artificiais, o primeiro helicóptero, a xerografia e também o mais famoso e célebre fuzil AK-47 (embora criar armas, seja em qual sistema for, não é algo a se “comemorar”, pois é um instrumento de mortes, guerras, etc.).

Isso sem falar que foi de um cientista comunista a invenção do aparelho telefónico. Qualquer um que busque algo relacionado com o nome de Leonid Ivanovich Kupriyanovich saberá que o inventor comunista russo era um famoso engenheiro, conhecido por suas invenções na área de comunicação. Em 1955, publicou em uma revista científica para amantes do rádio uma descrição de seu aparato walkie-talkie, capaz de fazer conexões de até 1,5 km de distância. Pesava cerca de 1 kg e funcionava com dois tubos de vácuo.

Em 1961, o engenheiro comunista da União Soviética desenvolveu um dispositivo ainda menor, que cabia na palma da mão e tinha um alcance de mais de 30 km. No mesmo ano foi planejada a fabricação deste objeto em grande escala, segundo uma entrevista dada por Leonid à agência de notícias APN. O inventor também falou sobre o plano de construir estações de telefonia móvel.


5) “O socialismo não deu certo!” ou “Comunismo é utopia!”


Conforme disse Marx, “para fazer uma coisa hoje e outra amanhã, caçar de manhã, pescar à tarde, cuidar do gado à noitinha, criticar depois do jantar… Sem nunca se tornar caçador, pescador pastor ou crítico” (A Ideologia Alemã). Deste modo, o comunismo é baseado no oposto da uniformização: uma diversidade enorme não só entre as pessoas, mas até na “ocupação” de uma única pessoa. Como bem escreveu Rosa Luxemburgo: “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres..

As tentativas socialistas que tivemos, mesmo que não tenham prosperado como deviam (com regimes mais rígidos, economia mais fechada, etc.), nem de longe a URSS fracassou. Aliás, nos deixaram legados importantes: conseguiu grandes conquistas trabalhistas (que nos são extremamente importantes devido a essa Revolução). Em oitenta anos, um país rural e sem indústrias, se transformou numa potência mundial que competia com os EUA de frente!

Os direitos sociais mais básicos, inclusive, tiveram pilares nas ideias socialistas: descriminalização do aborto, criminalização do racismo em Constituição, direitos trabalhistas assegurados, educação e saúde pública de ótima qualidade, etc.

Dois exemplos provam que a afirmação de que “socialismo não deu certo” não é válido, primeiro: devemos nos ater ao qual socialismo se refere, porque é simplista demais afirmar isso sem nenhum fundamento que não é utópico. Como são centrais ao conceito de comunismo a coletivização da produção agrícola e industrial e a inexistência de classes sociais de qualquer tipo, países denominados comunistas nunca foram, de fato, comunistas.

Segundo, as tentativas socialistas que tivemos até hoje, os melhores exemplos – e Cuba é um desses, basta-nos olhar os dados concretos – de sociedades anarco-comunistas (isto é, estabelecidas em volta das ideias socialistas e atingindo atenção mundial e conhecimento no registro histórico), são os territórios anarquistas durante a Revolução Espanhola e o Território Livre durante a Revolução Russa.

Através dos esforços e da influência dos anarquistas espanhois durante a Revolução Espanhola na Guerra Civil Espanhola, a partir de 1936 o anarco-comunismo existiu na maior parte de Aragon, partes do Levante e Andaluza, assim como no forte da Catalunha Revolucionária antes da derrota para as forças combinadas na Segunda Guerra Mundial. Não satisfeita com a vitória dos camponeses e trabalhadores, a burguesia europeia, financiou o franquismo durante esse período, em seu golpe militar.

Ou o futuro será esse tipo de autogestão, coletivização e humanismo, ou será algo parecido com o filme Elisuym (que é mais provável), onde os ricos segregados e o povo morrendo na terra, vitima da miséria, do aquecimento global e sob forte repressão.


6) “Socialismo é coisa de vagabundo fracassado!”


Isso nem argumento podem ser considerado: é um xingamento! É o mesmo que alguém dizer que seu time é um lixo porque esse alguém não torce pelo mesmo time que você.

O termo vagabundo já é empregado de forma risível inicialmente. Com uma rápida pesquisa no Google você consegue perceber que a imensa desigualdade causada pelo capitalismo não é porque somos “preguiçosos” ou fracassados.  De acordo com o Jornal El País, “Um por cento da população mundial alcançou a metade do valor total de ativos”. Outra fonte, desta vez do jornal Folha.UOL afirma que o “Patrimônio dos 85 mais ricos é igual ao da metade da população mundial.

Esses exemplos acima só ilustram que não é compatível dizer que no capitalismo somente há pessoas trabalhadoras e que no socialismo a coletivização dos meios de produção não há pessoas empenhadas no progresso econômico.

O Socialismo propõe que as riquezas sejam repartidas entre seus trabalhadores, já que, “se a classe tudo produz, a tudo ela pertence”. 


7) “O socialismo é a privação das liberdades!”


Não, não é – nem vai ser dependendo da vertente. Nas revoluções históricas, as revoluções Francesa, Chinesa e Russa foram justamente jogar abaixo modelos de governo monárquicos, por exemplo. Existem outras várias vertentes. Marx e os socialistas contribuíram muito com a ideia, mas nem todos moldaram um sistema, eles apenas falaram brevemente sobre a possibilidade (ou necessidade) de se chegar ao comunismo, etc. Mas aí é assunto pra outra hora. Mas o socialismo-libertário é oposto de governo. Também existe o socialismo democrático, que é uma vertente anti-autoritária, que é onde há uma plena democracia de autogestão – ou um anarquismo, propriamente dito.

Sem o ‘autoritarismo’ soviético o voto feminino continuaria a ser excepcionalidade marginal em meia dúzia de países pouco relevantes. O primeiro país de relevância geopolítica a aprovar o voto feminino e, portanto, o sufrágio universal de verdade, foi a União Soviética. Aí sim, só depois, entram EUA, França, Inglaterra, etc. (que, estranhamente, não sofrem 1% das acusações de autoritarismo por parte das pessoas.) Na década de 20, as mulheres soviéticas começaram a ocupar mais e mais postos de trabalho nas indústrias e creches e restaurantes estatais se encarregavam das tarefas antes consideradas domésticas.

As novas condições materiais somadas à facilidade para se casarem e se divorciar e ao acesso ao aborto permitiram o surgimento de novos arranjos familiares, baseados no amor livre, e não na dependência econômica.


Conclusão


Por fim, ninguém é obrigado a “gostar” da ideologia em questão, mas ao que tange o capitalismo, não é necessário ser um “revolucionário” para saber que o capitalismo é algo fantasioso, desprezível, criando uma ideia com confetes para propor que, com “esforço”, teremos nosso ‘mérito’ de alguma coisa.

Os EUA venceram a guerra fria, mas são todos os dias derrotados pela pobreza de 50 milhões, pela maior taxa de população prisional do mundo e por dois milhões de crianças sem teto. Na URSS, as crianças não dormiam na rua e a democracia não ficava à entrada da fábrica. Em Cuba, idem. Isso foi o mais perto que a humanidade chegou de construir uma terra sem amos!

Se o Socialismo/comunismo falhou um dia, ou não mostrou sua real face sobre a civilização moderna, é perfeitamente plausível nos ater que esse sistema poderá ser o sistema futuro ao qual será o único a reparar danos causados pelo capitalismo desenfreado que está destruindo em grandes proporções a humanidade em seus princípios básicos de cooperação, solidariedade e desenvolvimento.

Sobretudo, é importante também aprendermos sobre esse viés político, até mesmo para entender, e assim, possuir um saber científico para não cairmos em discursos fáceis e falaciosos acerca desse espectro. Para, quem sabe, construir um amanhã melhor.


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Agradecimentos: Gabriel Carvalho e Ricardo Silas.

4 comentários:

  1. '' Se o Socialismo/comunismo falhou um dia, ou não mostrou sua real face sobre a civilização moderna, é perfeitamente plausível nos ater que esse sistema poderá ser o sistema futuro ao qual será o único a reparar danos causados pelo capitalismo desenfreado que está destruindo em grandes proporções a humanidade em seus princípios básicos de cooperação, solidariedade e desenvolvimento.''

    hhuahuahahuahuauuahua so rindo mesmo de um palhaço como esse

    O ''capitalismmo'' ( AKA economia de mercado) foi a melhor coisa que aconteceu na história da humanidade.

    ps: O mundo nunca foi, não é, e nunca será perfeito.

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  2. Acho incrível quem consegue escrever um texto desse tamanho com argumentos tão rasos. Pelo título, tu quase me enganou ein

    Confesso, tem que ter o talento.

    Parabéns Rapaz.

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    1. Mais incrível ainda é você não dar UM ÚNICO ARGUMENTO sequer.

      Abrçs

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  3. Interessante, mas não falou dos 100 milhões de mortos de FOME, nem do holodormor, nem das tentativas de lançamentos de astronautas fracassados, que ficaram à deriva no espaço ( abandonados mesmo!)Não falou no mar de Aral.
    Se comunistas comem criancinhas? sim, aquelas famílias que eu citei no começo comiam os corpos dos bebes nascituros que morriam..
    direitos? só se for de morrer, ede fome!
    A ditadura cubana só não está igual à venezuela por que o aporte de recursos financeiros retirado do proletário brasileiro, via BNDES, sustenta a os charutos da família CAstro.. pra não esquecder, o feijão também, afinal a criatura que ocupava o cargo de chefe do executivo DEU para ilha-presídio o estoque regulador de feijão, o que fez com quem nós brasileiros, nada voluntariamente, tivéssemos que pagar a conta..
    Não existe liberdade, o governo te obriga, com um cano de fuzil apontado pra SUA FAMÍLIA, a bancar o partido e a revolução, que liberdade é essa?

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