Boatos

Falso “experimento socialista” de Adrian Rogers




Você já deve ter visto, lido, sobre o professor que “experienciou” o socialismo em sua sala de aula, certo? Pois aquilo não passa de uma baita mentira.

O texto abaixo foi retirado, e com a adaptação do site Boatos.org, que desmentiu o caso.


Texto original de Diandra Nunes, data 31 de Março de 2014

Adaptação de Wesley Sousa, 31 de Janeiro de 2018

Publicado originalmente aqui


Boato – Professor Adrian Rogers criou uma experiência socialista para alunos perceberem os erros do sistema.

Mesmo muito tempo após o fim da guerra fria, o socialismo é alvo de debates na web. E um dos maiores argumentos de quem é contra o sistema é um suposto “experimento socialista” que nunca deu certo. O relato da história já viralizou em blogs e, periodicamente, faz sucesso nas redes sociais. O tal experimento teria sido realizado por um professor de economia com seus alunos.

De acordo com o texto, que pode ser lido aqui, os estudantes acreditavam que o socialismo funcionaria na realidade. Para provar o contrário, Adrian Rogers criou um experimento socialista, mas ao invés de usar dinheiro, usou nota dos exames dos alunos. Ele passaria a dar nota para todos os alunos por meio de uma média.

O texto aponta que as notas da turma começaram a cair gradativamente enquanto os alunos passaram a buscar culpados pela queda de todos. No final das contas, o objetivo da pesquisa era “provar” que o socialismo não seria aplicável na sociedade. Chocante, não?

Naturalmente, uma história com tanta força assim se espalhou muito na web. Mas como todos sabem, nem tudo que reluz é ouro. Ou melhor, nem tudo que cai na web é verdade. Agora é hora de desmentir mais esse boato.

Pelo que apontam os fatos, a historia foi originalmente escrito por Adrian Rogers, mas diferentemente do que afirma o texto, ele não era professor de economia e jamais lecionou na universidade de Texas Tech. Rogers era um pastor tele-evangelista norte-americano, e muito famoso por sinal.

Você pode acessar os vídeos dele no Youtube. Aliás, o pastor era conhecido por sua excelente oratória e era considerado um dos ícones do conservadorismo religioso de direita nos EUA. Nada mais coerente juntar a teologia com capitalismo...

O texto, que acabou se transformando em um boato sobre um “experimento socialista”, nada mais era do que um dos sermões que o pastor costumava partilhar durante os cultos. Ou seja, o “experimento socialista” nunca existiu.

Ainda que a “teoria” do experimento tenha sido feita por alguma pessoa, esta sequer é “válida”, pois que parte de pressupostos filosóficos tão profundo quanto um pires. Falar em “falha do sistema” é outro grande equívoco. O capitalismo é hegemônico no globo terrestre, e este propicia guerras, fome, caos, destruição da natureza, exploração em massa, entretanto, ele dá “certo, pois uns poucos se enriquecem à custa de muitas outras. Choque de realidade, não é mesmo?

Se muito do que conquistamos hoje advém das lutas operarias, socialistas, que estão presentes em nossas vidas, como TV à Cabo, telefone celular, direitos trabalhistas, voto universal, etc. tudo isso “deu errado” ou “falhou”? Pense bem!

Embora mesmo que se fosse um experimento verdadeiro, o socialismo científico jamais pregou “igualdade” como tal. Deste modo, o comunismo/socialismo é baseado no oposto da uniformização: uma diversidade enorme não só entre as pessoas, mas até na “ocupação” de uma única pessoa.

Quem já leu sobre isso deve se lembrar: “A cada qual segundo suas capacidades, a cada qual segundo suas necessidades” – Karl Marx.

Mas socialmente iguais, segundo a filósofa polonesa Rosa Luxemburgo, significa a supressão da propriedade privada, isto é, a exploração do homem pelo homem para o processo de acumulação de capital sobre o trabalho alheio e nas relações humanas dos sujeitos livremente associados.

Aliás, outra deficiência do experimento: o critério adotado tem mais a ver com a lógica da “produtividade” capitalista, não de uma sociedade tipicamente socialista. Primeiro, o próprio sujeito, na sua subjetividade, tem suas vocações pessoais, seus anseios, consonantes à sua imanente capacidade técnica. Segundo, as notas “médias” seriam apenas um meio de “tipificar” o sujeito na sociedade capitalista. Já fizeram um vestibular? Então...

Para o socialismo, parafraseando Johann Goethe – romancista alemão –, até mesmo os mais limitados dos sujeitos podem se desenvolver ilimitadamente.

Assim, o experimento produz mais falácias que o pensável: as notas distribuídas entre os alunos reflete mais a sua “mercadoria do saber” à sua suficiência humana, portanto, ao meu ver, o experimento ratifica a alienação do labor sob julgo capitalista, longe de uma eventual critica ao  que ele chamou de “socialismo”.

Poderíamos elencar mais coisas, mas a mais gritante é que o experimento ao fingir criticar algo, evidencia a fraqueza do capitalismo, que transforma todos em meros “números”, por exemplo: de 0 a 10 temos as “capacidades” humanas, cuja elas são “medidas” por um sistema (capitalista) que quantifica a “utilidade” do ser humano. Logo, todos, ao fazerem de forma mecânica esse experimento, sua “identidade” fica vedada a uma uniformização independentemente as suas potencialidades técnicas e intelectivas.

Consequentemente, o experimento é falacioso e que bater num senso comum onde “todos são iguais”. Lindo, porém, falso! O capitalismo “iguala” substancialmente a maioria... na pobreza, no medo, no pânico e desemprego. Novamente: os “estudantes” (trabalhadores) auferem da “mesma nota” (insegurança e desemprego). Perceberam? O que o professor (Estado) faz é simplesmente o que é esperado: “controlar” e “distribuir”.

E tem mais, o texto diz ter sido escrito por Adrian Rogers em 1931. No entanto, em 1931 foi o ano de nascimento do pastor, ou seja, ele não poderia ter feito uma pesquisa com menos de um ano de idade.

Com isso, chegamos à conclusão que Adrian existiu, mas o experimento não passa de uma lenda – e mesmo que seja “verdade” a teoria, esta não tem nenhum respaldo de conhecimento além de patifaria!


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