Geopolitica

Jerusalém em números: Pobreza, demolições e exílio

Enquanto os israelenses nacionalistas celebram a "unificação" da cidade, quando as tropas israelenses ocuparam Jerusalém Oriental em 1967, uma olhada nos dados mostra uma imagem muito mais sombria da vida dos moradores palestinos de Jerusalém.



                                                                                               Texto original de 972mag.com                                                                                                                  Por Ramon Carlos (UFSJ)

A seguir, uma coleção de fatos, números e estatísticas sobre Jerusalém compilados e publicados na ocasião do “Dia de Jerusalém”. Israelitas nacionalistas marcam o Dia de Jerusalém no domingo para marcar o aniversário da conquista de Jerusalém Oriental e da Cidade Velha em 1967. As celebrações incluem a "marcha das bandeiras", em que foliões judaicos portando bandeiras marcham pelos bairros palestinos da Cidade Velha, cantando slogans racistas, violentos e ultra-nacionalistas. Qualquer contra-protesto dos moradores palestinos é raramente tolerado pela polícia.

Enquanto os judeus israelenses celebram a “reunificação” de Jerusalém, os dados mostram que a cidade é tudo menos unificada. De muros de concreto que separam aos orçamentos que discriminam, Jerusalém Oriental e Jerusalém Ocidental - apesar de pertencerem ao mesmo município - são praticamente os mesmos, quanto mais uma cidade unificada. Os moradores palestinos de Jerusalém são apenas isso - moradores; eles não foram concedidos a cidadania israelense e não têm o direito de votar nas eleições nacionais, não possuem passaportes israelenses e milhares tiveram o direito de viver em sua cidade natal revogada com o golpe de uma caneta.

Os números a seguir foram extraídos do Escritório Central de Estatísticas de Israel (Israeli Central Bureau of Statistics - CBS), publicado em 9 de maio de 2018, e Ir Amim (IA), publicado em janeiro de 2018.

Demografia:

  • Os palestinos compreendem 37,8 por cento dos moradores de Jerusalém. (CBS)
  • 61 por cento (521.900) de todos os habitantes de Jerusalém vivem do outro lado da Linha Verde, em Jerusalém Oriental - em território ocupado. Destes, 320.300 são palestinos e 211.600 são colonos judeus. Apesar do direito teórico de morar em qualquer lugar da cidade, apenas 1% dos moradores palestinos de Jerusalém vivem na Jerusalém Ocidental. (I A)
  • 2% das crianças palestinas em Jerusalém Oriental vivem na pobreza. A taxa de pobreza para os moradores palestinos de todas as idades é de 72,9%. Para os judeus na cidade, a taxa de pobreza é de 29,8%. Ambos são mais altos que qualquer outra grande cidade israelense. (I A)
  • Autoridades israelenses revogaram a residência e exilaram 94 residentes palestinos de Jerusalém em 2016, 52 dos quais eram mulheres e crianças (dados para 2017 ainda não foram publicados). Entre 1967 e 2015, Israel revogou a residência de 14.500 habitantes de Jerusalém palestinos. (I A)
Geografia:
  • Desde 1967, Israel expropriou 38,3% das terras na área conhecida como Jerusalém Oriental para a construção de bairros judeus. Outros 14,7% de Jerusalém Oriental foram declarados áreas “verdes”, nas quais a construção é proibida. (I A)
  • 48% dos judeus em Jerusalém disseram estar satisfeitos com a quantidade de espaços verdes em suas comunidades, em comparação com apenas 2% da população árabe. (CBS)
  •  88% dos judeus e 49% dos árabes em Jerusalém disseram estar satisfeitos com a área em que vivem. (CBS)
  •  Autoridades israelenses demoliram 86 casas e 87 outras estruturas em Jerusalém Oriental no ano passado, e há processos de despejo contra 193 famílias palestinas em Jerusalém Oriental. (I A)
Discriminação:
  • Em 2013, o último ano para o qual há dados disponíveis, apenas 10% do orçamento municipal de Jerusalém foi destinado aos habitantes palestinos da cidade. Cinco divisões do município destinaram apenas 5% de seu orçamento para os palestinos de Jerusalém. (I A)
  • Há uma escassez de pelo menos 2.557 salas de aula para crianças palestinas em Jerusalém Oriental. A cidade está construindo 37 por ano. Nesse ritmo, levaria quase 70 anos para fechar a lacuna. (I A)
  • Embora existam 19 escritórios de assistência social que servem os bairros judeus em Jerusalém, apenas quatro escritórios de assistência social estão localizados em bairros palestinos. (I A)
  • Apenas 59 por cento das famílias palestinas em Jerusalém Oriental estão oficialmente ligadas à rede de água. (I A)
  • Em uma nota positiva, 91 por cento dos moradores palestinos de Jerusalém e 74 por cento dos moradores judeus disseram ter fé no sistema de saúde na cidade. Pelo menos tem isso. (CBS)



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